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Criada pelo Engenheiro de Computação Diogo Murilo Lopes, a plataforma "Radar de Integridade" utiliza inteligência artificial e dados públicos para flagrar indícios de fraudes em licitações antes que o dinheiro saia dos cofres públicos.
Fiscalizar o dinheiro dos impostos investido em obras, escolas e postos de saúde costuma ser um desafio gigantesco no Brasil. Para ajudar a mudar essa realidade, um projeto desenvolvido com DNA do Alto Paranaíba ganhou destaque nacional: o engenheiro de computação tapirense Diogo Murilo Lopes inscreveu o sistema "Radar de Integridade" no 2º Concurso de Reúso de Dados Abertos da Controladoria-Geral da União (CGU).
A iniciativa nasceu durante os estudos práticos do curso de Engenharia de Inteligência Artificial de Diogo e foi estruturada em conjunto com o advogado e consultor jurídico Augusto Vieira da Silva. A proposta une tecnologia de ponta e direito público para resolver um problema antigo: a dificuldade de cruzar, manualmente, milhares de páginas de editais e cadastros de empresas que disputam contratos com prefeituras e órgãos do governo.
Quando uma prefeitura ou órgão público precisa comprar produtos ou contratar um serviço - seja a merenda das escolas ou o asfalto das ruas -, é realizado um processo chamado licitação. Em tese, vence a empresa que oferecer a melhor proposta dentro da lei. No entanto, esquemas fraudulentos costumam usar artifícios difíceis de enxergar a olho nu:
O Radar de Integridade resolve esse quebra-cabeça automatizando a checagem. O sistema cruza informações públicas da Receita Federal (cadastro de CNPJ e quadro de sócios), do portal Transferegov / Portal da Transparência e das listas de empresas punidas mantidas pela própria CGU (como o CEIS, CNEP e CEPIM).
Em vez de exigir que auditores ou cidadãos vasculhem dezenas de sites diferentes, o sistema avalia cinco pontos principais e gera um score de risco de 0 a 100 pontos:
Empresa de fachada (até 25 pontos): o software integra mapas e imagens de satélite e de rua para verificar se o endereço cadastrado realmente abriga uma sede comercial compatível ou se é apenas um terreno abandonado;
Constituição recente (até 20 pontos): alerta se a firma foi aberta às pressas logo antes do lançamento do edital;
Capacidade financeira incompatível (até 20 pontos): compara o capital social declarado com o valor total do contrato;
Vínculos societários e conluio (até 20 pontos): desenha um gráfico de relações para mostrar se participantes da mesma licitação têm sócios em comum ou laços ocultos;
Direcionamento de edital por IA (até 15 pontos): modelos de inteligência artificial analisam os documentos do edital em busca de exigências descabidas criadas para afastar concorrentes e favorecer uma empresa específica.
Quanto maior a pontuação, maior a urgência de checagem pelos órgãos competentes - dividindo os processos entre risco baixo, moderado, alto e crítico.
Mais do que uma ferramenta técnica voltada a especialistas, o projeto foi planejado para colocar o controle social nas mãos da comunidade. Qualquer morador, jornalista ou conselheiro municipal poderá consultar as informações em linguagem clara, sem precisar de cadastro ou senhas.
O sistema não emite acusações automáticas, mas aponta onde estão as inconsistências e fornece links diretos para os bancos de dados oficiais do governo, permitindo que a sociedade e os tribunais de contas atuem antes que o contrato seja assinado e o pagamento seja efetuado.
A disputa na Controladoria-Geral da União coloca o projeto em evidência no cenário nacional de tecnologia cívica e integridade pública, demonstrando como o talento regional pode contribuir diretamente para a proteção dos recursos de todos os brasileiros.