Tapira Teen - A Revista Digital de Tapira
Publicado em: 10/09/2026
Tapirense participa de concurso de software na CGU
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Criada pelo Engenheiro de Computação Diogo Murilo Lopes, a plataforma "Radar de Integridade" utiliza inteligência artificial e dados públicos para flagrar indícios de fraudes em licitações antes que o dinheiro saia dos cofres públicos.

Fiscalizar o dinheiro dos impostos investido em obras, escolas e postos de saúde costuma ser um desafio gigantesco no Brasil. Para ajudar a mudar essa realidade, um projeto desenvolvido com DNA do Alto Paranaíba ganhou destaque nacional: o engenheiro de computação tapirense Diogo Murilo Lopes inscreveu o sistema "Radar de Integridade" no 2º Concurso de Reúso de Dados Abertos da Controladoria-Geral da União (CGU).

A iniciativa nasceu durante os estudos práticos do curso de Engenharia de Inteligência Artificial de Diogo e foi estruturada em conjunto com o advogado e consultor jurídico Augusto Vieira da Silva. A proposta une tecnologia de ponta e direito público para resolver um problema antigo: a dificuldade de cruzar, manualmente, milhares de páginas de editais e cadastros de empresas que disputam contratos com prefeituras e órgãos do governo.

O olho no dinheiro público: como o sistema funciona

Quando uma prefeitura ou órgão público precisa comprar produtos ou contratar um serviço - seja a merenda das escolas ou o asfalto das ruas -, é realizado um processo chamado licitação. Em tese, vence a empresa que oferecer a melhor proposta dentro da lei. No entanto, esquemas fraudulentos costumam usar artifícios difíceis de enxergar a olho nu:

  • Empresas abertas poucos dias antes da licitação;
  • Empresas com capital irrisório (por exemplo, R$ 30 mil) disputando contratos milionários;
  • Concorrentes que fingem disputar o preço, mas pertencem aos mesmos donos ou dividem o mesmo endereço;
  • Endereços registrados que, na realidade, são lotes vagos ou residências simples (as chamadas "empresas de fachada").

O Radar de Integridade resolve esse quebra-cabeça automatizando a checagem. O sistema cruza informações públicas da Receita Federal (cadastro de CNPJ e quadro de sócios), do portal Transferegov / Portal da Transparência e das listas de empresas punidas mantidas pela própria CGU (como o CEIS, CNEP e CEPIM).

Uma "nota de risco" para cada contrato

Em vez de exigir que auditores ou cidadãos vasculhem dezenas de sites diferentes, o sistema avalia cinco pontos principais e gera um score de risco de 0 a 100 pontos:

Empresa de fachada (até 25 pontos): o software integra mapas e imagens de satélite e de rua para verificar se o endereço cadastrado realmente abriga uma sede comercial compatível ou se é apenas um terreno abandonado;

Constituição recente (até 20 pontos): alerta se a firma foi aberta às pressas logo antes do lançamento do edital;

Capacidade financeira incompatível (até 20 pontos): compara o capital social declarado com o valor total do contrato;

Vínculos societários e conluio (até 20 pontos): desenha um gráfico de relações para mostrar se participantes da mesma licitação têm sócios em comum ou laços ocultos;

Direcionamento de edital por IA (até 15 pontos): modelos de inteligência artificial analisam os documentos do edital em busca de exigências descabidas criadas para afastar concorrentes e favorecer uma empresa específica.

Quanto maior a pontuação, maior a urgência de checagem pelos órgãos competentes - dividindo os processos entre risco baixo, moderado, alto e crítico.

Transparência acessível a qualquer cidadão

Mais do que uma ferramenta técnica voltada a especialistas, o projeto foi planejado para colocar o controle social nas mãos da comunidade. Qualquer morador, jornalista ou conselheiro municipal poderá consultar as informações em linguagem clara, sem precisar de cadastro ou senhas.

O sistema não emite acusações automáticas, mas aponta onde estão as inconsistências e fornece links diretos para os bancos de dados oficiais do governo, permitindo que a sociedade e os tribunais de contas atuem antes que o contrato seja assinado e o pagamento seja efetuado.

A disputa na Controladoria-Geral da União coloca o projeto em evidência no cenário nacional de tecnologia cívica e integridade pública, demonstrando como o talento regional pode contribuir diretamente para a proteção dos recursos de todos os brasileiros.

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